Maria Flores
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Último Canto

Direção de ArteCurta-metragem · em pós-produção
Três stills do filme: uma mulher a cozinhar ao lume, a cozinha da casa e um tacho com um pássaro embalsamado e etiquetas
SINOPSE
No Portugal dos anos 50, Isaltina, uma taxidermista, vive entre o silêncio e a morte que preserva. Após um acidente numa mina, Leopoldo entrega-lhe o canário usado na deteção de gases. Ao conservar o pequeno pássaro, Isaltina transforma a perda em memória.
Ano
2026
Estado
em pós-produção
Formato
Curta-metragem
Função
Direção de Arte
Realização
[nome]
Fotografia
[nome]
01

CONCEITO

A direção de arte de "Último Canto" constrói um universo visual enraizado no interior rural do sul de Portugal, onde o quotidiano, a memória e a relação com a morte coexistem de forma natural.

Partindo do imaginário alentejano e do universo da taxidermia, desenvolvemos espaços marcados pelo desgaste, pela funcionalidade e pela passagem do tempo.

Moodboard
Moodboard com paleta de cor e referências de cozinhas rurais, animais embalsamados, penas e frascos
02

A CASA

PROPOSTA VISUAL
A cozinha da casa: fotografia do espaço antes, desenho da proposta e o resultado no filme
O espaço
O desenho
No filme

Queríamos que a casa fosse tipicamente rural do sul de Portugal, vivida há décadas e moldada pelo tempo. Muitos dos objetos foram herdados e nada é decorativo, tudo tem uma função.

Os móveis estão gastos, marcados pelo uso, e cada elemento permanece porque pode vir a ser útil um dia. A morte também é normalizada dentro deste espaço. Os animais embalsamados não surgem como algo estranho, mas como uma continuidade dessa lógica rural: guardar, preservar e manter.

Os animais embalsamados não surgem como algo estranho na casa. fazem parte natural daquele universo e da própria lógica de sobrevivência da casa. Cada animal possui uma etiqueta, reforçando a ideia de que Isaltina cuida deles e preserva a sua memória.

Nessas etiquetas, escreve pequenas características de cada animal de forma simples e direta, quase como um arquivo íntimo de fragmentos das suas histórias. Tornam-se corpos catalogados, guardados com atenção, continuidade e permanência dentro do espaço da casa.

Os animais
Quatro fotografias de animais embalsamados com etiquetas: um javali, um melro, uma coruja e um faisão
03

O TRABALHO DE ISALTINA

Stills
Seis stills: mãos a medir e a trabalhar um animal, Isaltina sentada na cama do quarto, a cabra-montês e um terço na cabeceira
04

O QUARTO

Queríamos um décor mais simplista do que os outros, com menos elementos, mas onde cada um deles já tem uma carga forte o suficiente para o espaço.

Principalmente para sugerir que é um lugar onde ela não passa muito tempo do seu dia, quase como se só o usasse para se preparar para o dia e para dormir.

Moodboard
Moodboard do quarto: vela, jarra, tecidos, retratos antigos e candeeiro
PROPOSTA VISUAL
O quarto: fotografia do espaço vazio, desenho da proposta e o resultado no filme
O espaço
O desenho
No filme

Existe apenas um animal embalsamado no quarto: a cabra-montês. De certa forma, também ela próxima de Isaltina.

É um animal de resistência e sobrevivência autónoma, que sugere independência e adaptação. Carrega uma força contida e uma dureza própria, onde a obstinação e a verticalidade se tornam traço dominante.

A cabra-montês
Isaltina sentada na cama, sob a cabeça da cabra-montês, e o detalhe da cabra-montês na parede
05

OS ESTENDAIS

Stills
Três stills dos estendais no campo, com a casa ao fundo

A ideia era criar vários estendais no exterior da casa da Isaltina, inspirados na fotografia de Artur Pastor. A presença da roupa estendida ajuda a construir uma imagem lírica e poética da paisagem, trazendo movimento e textura ao espaço através do vento e dos tecidos.

A escolha de tecidos leves e naturais, numa paleta de cores claras e ligeiramente desbotadas, reforça o contexto rural e a sensação de uso constante. Ao mesmo tempo, a quantidade de roupa tambem sugere a rotina da própria Isaltina: alguém que passa muito tempo em casa a lavar, tratar e cuidar da roupa, num quotidiano marcado pelo trabalho doméstico e pela relação com os animais e com a casa.

Moodboard
Moodboard de roupa estendida: fotografias antigas, tecidos brancos e uma paleta de azuis e cremes
PROPOSTA VISUAL
Os estendais: fotografia do local, desenho da proposta e o resultado no filme
O espaço
O desenho
No filme
06

A DESPENSA

PROPOSTA VISUAL
A despensa: fotografia do espaço, desenho da proposta e o resultado no filme
O espaço
O desenho
No filme

[texto da proposta visual da despensa]

07

A GAIOLA E A LÂMPADA DE CARBURETO

Stills
Três stills da mina: um homem a acender a lâmpada, a gaiola com o canário e duas silhuetas à saída do túnel

Sendo a gaiola com o canário o primeiro plano da curta-metragem, tornou-se essencial encontrar uma peça realista e visualmente marcante, capaz de introduzir o universo do filme. Encontrámos uma gaiola feita à mão, com uma aparência envelhecida e artesanal, integrada no contexto rural da narrativa.

A sua estrutura simples e imperfeita reforçou a sensação de autenticidade e fragilidade presente no projeto. Simbolicamente.

A gaiola
A gaiola de madeira feita à mão, com o canário lá dentro
Stills
Três stills da mina: um homem com a lâmpada de carbureto e a galeria do túnel

A lâmpada de carbureto foi durante muitos anos uma das principais fontes de luz utilizadas nas minas. Funcionava através da reação entre água e carbureto de cálcio, produzindo uma chama intensa e portátil, essencial para iluminar os túneis subterrâneos. Para além da sua função prática, tornou-se também um símbolo do trabalho mineiro e das condições difíceis vividas pelos trabalhadores nas minas.

Contactámos a Federação Portuguesa de Espeleologia (FPE), que teve a gentileza de nos emprestar uma das suas lâmpadas e de nos ajudar no seu manuseamento durante as gravações, nomeadamente na gestão da chama e no funcionamento do objeto em cena.

A lâmpada de carbureto
Maria Flores dentro de uma galeria da mina, de capacete, a segurar a lâmpada de carbureto acesa
08

ISALTINA

Stills
Dois stills de Isaltina: ao ar livre, de lenço na cabeça, e num plano próximo à luz do lume
GUARDA-ROUPA

A Isaltina foi pensada como uma mulher típica alentejana: forte, autossuficiente e profundamente ligada à terra, aos animais e à taxidermia. O guarda-roupa acompanha essa identidade: funcional, prático e marcado pela rotina do trabalho.

Trabalhámos com cores fechadas, tecidos pesados e peças simples, onde o avental se torna central por acompanhar todas as áreas do seu quotidiano. Queríamos também transmitir uma sensação de hábito e permanência, como se se vestisse da mesma forma há décadas, reforçando a resistência e a ligação à terra.

Moodboard
Moodboard do figurino de Isaltina: botões, paisagens, mãos a tricotar, tesoura e retratos antigos
O figurino de Isaltina: ilustração do figurino, prova no campo e o resultado no filme
Figurino
Prova de figurino
No filme
09

LEOPOLDO

Stills
Dois stills de Leopoldo: com o capacete de mineiro e ao ar livre, de boné
GUARDA-ROUPA

O Leopoldo é um personagem que carrega em si uma comunidade . Ele aparece sempre com roupa de trabalho da mina.

As peças são sujas, gastas, transpiradas, o que sugere um quotidiano duro e repetitivo, onde não há qualquer espaço para preocupação estética.

No fundo, ele e a Isaltina são parecidos nesse sentido: ambos vivem presos a rotinas de trabalho muito físicas e exigentes, ligados à terra, mas expressam isso de formas diferentes.

Moodboard
Moodboard do Leopoldo: mineiros, mãos gastas, galerias e uma paleta de castanhos
O figurino de Leopoldo: ilustração do figurino, prova no local e o resultado no filme
Figurino
Prova de figurino
No filme
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